Esquizofrenia Infantil?

Esquizofrenia Infantil?

Por William Marcos – Psicanalista Mensch

06/07/2020 – wmok34@hotmail.com

O leitor se perde em tantos artigos de várias linhas, reproduzindo ‘certezas’ a respeito das afecções, sem demonstrações verídicas de casos estudados. São somente cópias daquilo que cátedras conseguem estabelecer em currículos de 2 a 4 anos, jogando certos pretensos profissionais a apoiar tratamentos psicotrópicos para o fino e máximo patamar médico, a saber, a psiquiatria e suas definições de como o indivíduo não é indivíduo, mas sujeito da bula.

Há textos falando sobre esquizofrenias que aparecem antes dos 5 anos, serem confundidas com o que parece ser autismo, prometendo que basta esperar esse infante mais alguns anos para justificar ‘receitas’ e idas à farmácia, prometendo prevenção da fatídica evolução ao quadro psicótico, ‘provado’.

Porém não avisam que é provavelmente pelo uso de medicação em cérebros geniais, tornados matéria destruída tanto pela ação familiar, quanto pelo lucro da Indústria Química e Farmacêutica. E dizem isso sem medo de ser feliz: que diagnosticar antes dos 3 anos não será possível, e com isso a improbabilidade do que seria, torna-se certeza de um psicótico produzido pela pílula, pelas gotinhas, pelo xaropinho, pelo plano de saúde.

A essa maldita sina em que é exposta e jogada a criança como futuro idiota, alia-se personagens até então tidos como sérios e aplicados, numa psicologia tradicional, defensora dos padrões comprovados ‘cientificamente’.

O incrível é que tais profissionais condenam o encarceramento manicomial, no entanto, apoiam e são precursores apoiadores de definições médicas de que “talvez sua criança seja um potencial futuro psicótico” e por isso, por esse comportamento esquizoide, demonstrando ser inteligente, insociável e auto suficiente, mas provavelmente potencial autista ou futuro esquizofrênico, dar-lhe-emos a medicação capaz de impedir tornar-se e ter o futuro trágico.

Então… aquela vida genial, ou quiçá, livre, abate-se como somente mais um usuário químico, idiotizado pela frenética cultura do saber, mas atendido pela tradicional escola dona do saber psicológico e médico, culta e sabedora do futuro.

Profissionais praticantes de conjecturas, tendem dizer que notam sinais de alerta nas crianças com esquizofrenia, e que comportamentos deste infante pode mudar lentamente com o passar do tempo.

Ora bolas!

São profissionais com pouquíssimo contato com o paciente em espécie, alguns ganhando bons honorários particulares, mas a maioria recebendo pouco dos planos de saúde ou do famoso SUS… loucos em atestar, firmar que seu relatório de anamnese seja exatamente o que lhe foi passado pelo professor que o antecedeu, sem a certeza de relatos fiéis, ajudados com familiares, pessoas levadas a concordar com o exemplo que se pede, familiares ausentes, que atestam seus meninos e meninas antes de bom relacionamento, passam à timidez, reservadas em seu mundo.

Tais profissionais são obstinados pela afirmação social, pela idealização e obrigatoriedade de interações, como se o pequeno indivíduo viesse preparado de alguma dimensão e fosse obrigado vir a ser sociável e encaixado no ambiente em que o colocam, sem considerar tamanha quantidade de variáveis que novos ambientes trazem à criança.

Sem considerar os constrangimentos vividos pelo infante dentro da intimidade de sua casa, no ambiente que onde deveria ter paz, proteção e alimento, locais donde recebe aflições de toda ordem, e sem voz, reverbera no recalque natural protetivo do ser. Um ser imaturo, que ao invés do contato materno é deixado às mãos de creches e parcas escolinhas, com receio da punição, acabando por ser lançado para a Indústria da psicologia e psiquiatria. É logo promovido a um pseudo autista, um suposto esquizofrênico alçado como novo consumidor de drogas.

Evidente que toda decisão há de parecer com ar de respeito à ciência, e baseando-se em falsa ciência, apoiam-se que talvez, um percentual possível de 25% das pessoas ao nascerem recebem como herança, por isso a razão para começar ficar de olho nessa criança ‘estranha’, e ao primeiro sinal de comportamento diferente merece avaliações integrais realizadas por experientes profissionais, possibilitando o mais cedo possível, ser introduzidas em plano de tratamento, que garanta a outros profissionais, até chegar na cereja do bolo: A combinação de medicamentos com terapia individual ou terapias familiares, e claro, programas especializados em escolas ou clubes, com atividades lúdicas ou extensoras dos exercícios mentais que essas crianças precisam para se livrar do futuro psicótico.

Para ganhar aderência das incautas mães, dos ocupados pais, muitas vezes ansiosos ou hipocondríacos, explicam-lhes como é a caracterização de delírios do paranoide, ganhando adesão destes familiares, muito mais interessados na Netflix ou nas propagandas de sapatos, e como ficar gostosos na academia, tendo responsabilidade se logo resolver esse ‘problema’, enfim! É dito que ‘aquilo’ que a criança tem, já é um esboço de delírio.

Em algum lugar no campo formativo dos atuais profissionais, se perdera e tornaram-se pessoas não preparadas para entender que a época da fantasia, do brincar, do lúdico natural é permeado miticamente na construção fantasiosa e no mais das vezes, inclusive, reproduzindo seja em sonhos ou representações ingênuas, aquilo que não consegue compreender da ação da natureza e dos regramentos sociais, cenas que se apresentam violentamente diante do espírito jovem e pueril da criança.

Tais descobertas do mundo, despertam dispositivos de defesa, confundidos com catatonia ou ações de agitação, portanto, indefinidos. Pronto! Isso é o bastante e está condenada essa criança, pelo ‘profissional’ da saúde mental, primeiro pelo psicólogo; Se essa criança não for colocado em terapia e iniciado o acompanhamento pelo neuropediatra, pelo psicopedagogo, pelo neuro psicopedagogo, pelo psiquiatra, todos em linha como se a trama transcorresse numa linha de produção fabril, que não pode parar, e se o pequeno indivíduo não for colocado na esteira produtiva do sistema fatalmente a linda criança estará prejudicada socialmente.

Tendo caído nas graças da medicação e achismos sobre seu futuro! Agora sim, seu organismo está estabelecido e alterado para sempre do que deveria sempre ter sido naturalmente.

Pior ainda é a justificativa do resultado, pois o tratamento no processo e vida do esquizofrênico que é de responsabilidade do psiquiatra, aquele profissional com legitimidade indiscutível, sem sombra de dúvidas capaz para definir o emprego da melhor medicação, mesmo se empregado medicação com falha, limitará a vida e trará efeitos adversos, somando-se às reações adversas, mas tudo bem. Faz parte dos sintomas adversos.

Não falam, que a criança será um viciado no psicotrópico, que se tornará um idiota germinado na fórmula laboratorial, condenado a ter eternamente no futuro, o retorno às alucinações. E se alguém cogitar isso antes do tratamento, será expurgado dos ciclos profissionais e de emprego e renda. Não dizem que o infante que teria breves relatos temporais de vida intensa como ‘espoleta, levado, diabinho’ cheio de brincadeiras fantasiosas, passa ser repetidamente levado a crises psicóticas.

Necessário que o indivíduo seja protegido pelas certezas dos que lucram e se organizam em nome de uma saúde mental que nunca é concedida para o ser que sofre.

A criança precisa ser defendida da Engenharia Social cruel, mesquinha, desoladora de futuros. E às crianças sejam garantidos o direito de fantasiar, brincar e desenvolver-se conforme sua condição natural como ser único. Não se pode padronizar como deve ser a criança.

Parece que sobrou exclusivamente então para a família, as será que pais e mães estão preparados para essa conversa?

(Professor William Marcos psicanalista, filósofo e ensaísta, é titular do Curso de Formação em Psicanálise do Instituto Internacional de Psicanálise, autor do primerio curso AUTISMO E PSICANÁLISE, difundido por vários meios da mídia virtual desde 2012)