Sobre RSI

Psicanálise - Filosofia - Artes

Sobre RSI

Sobre RSI – Real Simbólico Imaginário

William Marcos – Psicanalista

Belo Horizonte-MG-Brasil, data: 15/05/2017 – Skype: wmok34@hotmail.com

 

Como disse Lacan, na análise há uma parte de real nos sujeitos, e uma das coisas ativas que representam a configuração da realidade é o uso da palavra, e sendo a palavra um símbolo, quando proferida e desenvolvida em análise, alteram as experiências ditas como reais, expostas por um sujeito suposto saber, formando a experiência analítica. Então o principal a saber, a buscar, é a resposta de que símbolo é este que se está conduzindo à análise, a palavra.

A resistência em penetrar no significado destes símbolos promoverá um imbricado jogo de palavras, sobrepondo-os de modo a dificultar o entendimento mais explícito. E é naquilo que parece uma irracionalidade processual do pensamento, que Lacan requer utilizarmos o significante e significado de Saussure, por afirmar que devido ao princípio do prazer, e de forma alucinada, o indivíduo irá transportar suas ilusões ou satisfações fantasiosas para uma ordem que é só sua. Imaginária. Essas satisfações imaginárias são mais facilmente encontradas nos registros sexuais, onde o sujeito/objeto se funde num mesmo agente.

No ato sexual em si, o imaginário do indivíduo desenvolve o deslocamento, que serão as variações de um comportamento sexual mais repetido. Considerando que o comportamento coletivo do ato sexual para determinado animal seja o parâmetro para sua satisfação, damos conta de explicar o que é esse deslocamento, fruto das imagens que o indivíduo usará fora de tal parâmetro para sua satisfação. Estamos falando da ‘fantasia’, exemplificando este ato fetichista, quando ao observar determinado objeto, um indivíduo, manipulando-se irá ejacular, quando seria mais aceitável pelo senso comum, que tal ejaculação se devesse ao contato íntimo deste indivíduo com o sexo oposto. No momento de análise, o indivíduo usará da palavra, relatando fantasias, como forma simbólica de inserir em análise o desejo de ‘falar’ sobre seu imaginário. A linguagem usada nos relatos dá o tom do simbólico a respeito do imaginário.

Enquanto a linguagem é desprovida de significação, cabe ao analista ligar os possíveis símbolos a seus signos de modo a incluir o significante no histórico de registros do sujeito e do valor simbólico dos sintomas. O indivíduo no momento de seus relatos irá querer construir a experiência analítica, numa indução em pensar que está resolvendo sua questão do mais gozar, no ‘aqui e agora’ relatado e assumido ser tomado como verdade. A linguagem corporal, facial, além da entoação verbal, demonstrará as variações dessas tentativas, do horror ao gozo ignorado. Nas sociedades, a palavra decreta a Lei. Se trago para minha história, usando da palavra para relata-la estou decretando vias de regras que se adaptam à Lei moral mais adequada ao Real. Esta adaptação serve para nos livrar da culpa que há nas relações imaginárias e simbólicas. No entanto, não admitindo-se culpado iremos preferir sintomas de angústia, como modo do que Freud chama de pulsão de morte, aquilo que está além do princípio do prazer, inefável e inadmissível no contexto que aceito das minhas relações sociais e sexuais ditas como satisfatórias e normais ao senso comum do qual faço parte, integro e me entrego.

(William Marcos é professor do CFP – Curso de Formação Profissional em Psicanálise, orienta, supervisiona e mantém cadeira no Departamento de Psicanálise Mensch desde 2014)

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