Ontologia de Hume e Espinosa

Psicanálise - Filosofia - Artes

Ontologia de Hume e Espinosa

Diferenças Ontológicas na filosofia de Hume contra Espinosa

By William Marcos – Filósofo, professor MENSCH

 

Se estuda Kant, ou se és um cientista, e ainda, se é um artista seja clássico ou progressista, por vezes, poderá pender para as noções a respeito do ser explicado na ontologia de Espinosa, e contraditoriamente aderindo à filosofia kantiana pois dela não poderá indispor-se talvez por incapacidade em demonstrar razões satisfatórias para negar a fenomenologia que liberou o pensamento antigo para adentrar na evolução humana no modo de vida motivado pela derrocada de conjuntos de crenças em favor de outras, a saber, o controle da natureza pela via da industrialização e libertação do homem comum do labor manual, da escravidão do senhor dono da oficina e da escravidão dos senhores donos do saber e de ensinamentos mínimos que fossem, a teologia.

Influenciando Kant, David Hume possibilita e dá solução para  estruturação dessa LIBERTAÇÃO que permitiu o homem adentrar e vagar pelo mundo das ideias, e neste sentido, apresento abaixo duas questões, uma de Hume que explica sobre a natureza dos sentidos que possibilitam a intuição como forma empírica e estabelecimento dos conhecimentos sejam dedutivos ou de certezas comprováveis. A seguir apresento uma breve exposição criticando a filosofia de Espinosa no sentido do seu dogmatismo, que lança/lançou o homem a extremos, ou de ateísmo ou de servidão dos simples aos senhores que por séculos dominaram as intelectualidades.

Questão primeira:

De acordo com Hume, por que não podem ser os sentidos que produzem a crença na existência dos corpos ou objetos externos?

Segundo Hume, os sentidos proporcionam ao ser humano inferir percepções simples, singulares, pois conseguimos num primeiro momento, de imediato, perceber em exemplo que um objeto está distante de nossa posição, sem com isso, afirmarmos qual a distância ou o tempo que conseguiríamos chegar até tal objeto. Ir além da simples percepção do objeto é sair de uma primeira percepção do objeto singular e partir para considerações de semelhança e causalidade, e neste sentido, a mente processará os primeiros dados obtidos pela percepção dos sentidos e passará a razão através do raciocínio e experiência, e é esse exercício constante da razão que darão ao homem noções da existência contínua dos corpos ou objetos externos. Se os sentidos nos permitem experiência com sons, sabores, dimensões, texturas, etc, será o exercício mental e a experiência humana que irá operar saber ou imaginar a existência de tais corpos ou objetos, quando nossos sentidos não os alcançarem.

 

Questão segunda:

Porque se diz que a metafísica de Espinosa é dogmática?

Quando pensamos sobre o que seja o dogmatismo entendemos ser um conjunto de pensamentos contrários ao idealismo, o que nos remete ao culto do ser na natureza, ou Deus como imanente desta/nesta natureza. Neste sentido Espinosa ao entender Deus como este infinito e substância primeira e única de infinitos atributos que expressa sua essência de modo eterno e infinito, está neste sentido querendo dizer serem Deus e a natureza, uma mesma e única coisa, onde a natureza em suas várias formas concebidas é a manifestação de Deus. A Filosofia apresentada por Espinosa em seu livro “Ética” não corrobora com qualquer tipo de crítica e está longe do campo das ideias, sendo determinista na defesa da substância única e sua natureza que é a existência.

 

Enquanto a ontologia de Espinosa amarra o homem em extremos, a de Hume o liberta para permitir Tratados Sociais e Imperativos, bem mais aceitável e comprovável se somos seres erigidos em Livre Arbítrio. Fica então o desafio a filósofos pesquisadores de Espinosa, no sentido em defender a origem da substância primeira que seja Deus-Natureza, dado que a filosofia de Hume não se preocupa em explicar tal origem, mas sim como lidamos com a experiência sobre Deus, como ideia antropomórfica das qualidades ilimitadas de Deus serem produto da experiência mental sob a crença de sua existência a partir da certeza de nossa existência dentro da natureza, nossa cognoscibilidade de Deus em razão do acúmulo de experiências permitidas por nossos sentidos, senhores da construção da nossa razão lógica e subjetiva.

O professor William Marcos é titular dos Cursos:

Antropologia Filosófica

Retórica e Argumentação

CFP – Formação em Psicanálise

 

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